domingo, 14 de abril de 2013

Uma aventura geneticamente modificada

James Patterson

Maximum Ride - O Resgate de Angel


Autor: James Patterson
Páginas: 384
Editora: Topseller
Opinião:
Max, Iggy, Angel, Gazzy, Nudge e Fang são seis miúdos geneticamente modificados, sendo constituídos por 98% de genes humanos e 2% de genes de pássaros, e com poderes especiais. Todos eles cresceram num laboratório, a que chamam "Escola" e onde eram constantemente submetidos a testes e a experiências científicas que os deixaram profundamente traumatizados.

Jeb, um dos cientistas da "Escola", decidiu resgatá-los e instalá-los numa casa, a vários quilómetros de distância, onde os criou como filhos, durante 4 anos. Contudo, de repente, Jeb desaparece e os 6 jovens vêem-se entregues a si próprios e à mercê dos Erasers, uns seres demoníacos, sedentos de sangue e com uma fome de vingança devastadora. 

O problema é quando os Erasers descobrem o esconderijo destes super-heróis e raptam Angel. O resto do grupo fica e pânico mas concorda que não pode deixar um dos seus membros ser novamente levado para a "Escola" e torturado.

Vendo-se sós, os 6 jovens começam a questionar-se sobre a sua origem. Quem são os seus pais? Ou será que são bebés-proveta? Porque é que os tentaram modificar geneticamente? E vão passar por diversas aventuras até conseguirem resgatar chegarem a algumas conclusões e resgatarem a Angel.

Foi o primeiro livro policial que li deste autor. Fiquei com vontade de continuar a ler esta série e conhecer as novas aventuras de Maximum e dos seus amigos. O livro lê-se muito bem, o texto é fluído e a história nunca pára. Estamos sempre a saltar de aventura em aventura, impedindo que o livro se torne, em momento algum, enfadonho. 

Ao início achei que a história demasiado espartilhado, porque os capítulos são curtíssimos. Entre 2 a 5 páginas. Mas à medida que me fui embrenhando na história habituei-me àquela cadência frenética. Em suma, gostei e fiquei com vontade de repetir a dose.

4 *****


sexta-feira, 5 de abril de 2013

Acreditam no destino?

Susanna Kearsley

"Mariana"

Editora: Asa
Número Páginas: 352

Opinião:
Hoje começo por dizer-vos que adoro viajar. Seja no tempo, seja no espaço. E quando não podemos fazê-lo fisicamente, não há nada melhor que fazê-lo sentada, bem confortável, ao sabor das páginas de um bom livro. Não há nada como navegar num mar de letras, cruzar oceanos de palavras e mergulhar de capítulo em capítulo até chegar à praia do "fim". Se o vento estiver de feição, tanto melhor. A viagem decorre com mais celeridade, o entusiasmo cresce e chega-se mais rapidamente ao destino almejado.

A minha viagem pelas páginas deste livro decorreu exactamente assim, de um fôlego. Com a vantagem de que, tal como a personagem principal, viajei até a uma vida passada dela. "Mariana" é não só o título do livro mas também o nome de Julia na sua vida passada. Vida essa que a leva a deixar Londres e comprar uma casa, pela qual se apaixonou em criança, numa pequena aldeia. 

Ao mudar-se para a nova casa, Julia começa a ter algumas visões que não compreende. Mas à medida que estas experiências se repetem, Julia começa a perceber que está a recuar até à sua vida passada, em morou exactamente naquela casa há trezentos anos. E se, inicialmente, estas vivências a incomodam por não saber de que se tratam, posteriormente, tornam-se essenciais para perceber a sua vida presente.

O livro está recheado de personagens fortes, marcantes e interligadas entre elas, ainda que estejam inconscientes desse facto. Adorei viajar com a Julia até ao seu passado e conhecer os segredos escondidos no relógio do tempo. Quando cheguei ao último terço do livro não descansei até o terminar. A minha curiosidade estava de tal modo espicaçada  que já ansiava por mais um salto no tempo e descobrir o que se tinha passado com a Mariana.

Uma das personagens que me marcou foi Mrs. Hutherson, uma gorvernanta misteriosa a que nada parece escapar. Dei por mim várias vezes a pensar em certas frases proferidas por esta personagem e que faziam todo o sentido.

Este é um livro para todos aqueles que acreditam no destino. E os que não acreditam, depois de o ler, podem via a acreditar. Têm coragem de experimentar?! 

5 *****


sexta-feira, 29 de março de 2013

Um relato da Morte na 1ª pessoa

Markus Zusak

"A Rapariga que Roubava Livros"


Páginas: 236
Editor: Editorial Presença
Opinião:

Que posso eu dizer-vos sobre este livro? Posso dizer que:

- É sobre a história de Liesel Meminger, uma rapariga que é entregue a uma família adoptiva;

- A acção decorre na época 2.ª Guerra Mundial, na Alemanha, mais concretamente na Rua Himmel (céu) onde vemos acontecer algumas atrocidades, fazendo com que esta não se pareça em nada ao que calculamos que seja a vida no céu;

- A leitura é um dos poucos prazeres que Liesel tem na vida e essa paixão acaba por dar cor à vida cinzenta dos habitantes daquela rua;

- Leisel cria um laço de forte amizade e cumplicidade com o seu pai adoptivo e gosta muito de o ouvir tocar acordeão;

- Os melhores amigos de Liesel são Rudy Stiener e Max, um judeu que em segredo vive na sua cave;

- O livro retrata de forma fiel a Alemanha nazi e os seguidores fiéis de Hitler mas dá-nos a conhecer também personagens que não compactuam com o regime e se revoltam contra o sistema instaurado; 

- O livro tem muitas palavras em alemão, permitindo-nos conhecer um pouco mais desta língua;

- A narradora deste romance é a Morte.

Apesar de tratar de um tema forte "A Rapariga que Roubava Livros" não é um livro pesado, embora nos faça reflectir naquele que foi um dos períodos mais negros da história mundial e na dificuldade que era ir contra uma horda de loucos, que queria dominar o mundo às custas do sofrimento alheio.

3 ***


domingo, 24 de março de 2013

Marina Fiorato

A Virgem das Amêndoas


Autora: Marina Fiorato
Páginas: 288
Editor: Porto Editora


Opinião:
Ao lançar-me para este livro ia com expectativas bastante elevadas. Já tinha visto comentários altamente positivos tecidos por quem já tinha o tinha lido. Quando assim é, acabo por começar a ler os livros a medo… Tenho receio de perceber que criei uma aura mística à volta daquela obra e que afinal não tinha razão de ser.

Por outro lado, às vezes descubro autênticos tesouros, que guardo com imenso carinho na minha memória, e fico a conhecer novos autores cujos livros são verdadeiras preciosidades.

Ao mergulhar na história d’ “A Virgem das Amêndoas” estava efectivamente com receio de me desiludir. É muito triste, para quem gosta de ler, saber que gastou dinheiro num livro que não lhe diz nada e cuja história fica aquém das expectativas que criou. Seja porque a sinopse não corresponde às promessas que fazia, seja porque os comentários de quem já leu o livro eram positivos e indiciavam tratar-se de uma boa história. Mas, a meu ver, Marina Fiorato superou o desafio a que se propôs. A história é de facto fantástica e sustentada por uma boa pesquisa da época que retrata.

Trata-se de um romance histórico ambientado no início da época Renascentista, em que a pintura era uma arte em voga e os grandes mestres eram contratados para rechearem as paredes das igrejas de frescos religiosos. A história é protagonizada por Simonetta di Saronno, uma mulher da nobreza que vivia com o seu marido, Lorenzo, numa villa onde existiam várias amendoeiras. Quando o seu marido morre em combate às mãos do inimigo, Simonetta vê-se forçada a administrar a propriedade sozinha. Habituada às mordomias do seu estatuto, não sabe como lidar com os assuntos mais corriqueiros do dia-a-dia. Contudo, rapidamente percebe que não tem alternativa. Sobretudo depois de perceber que o seu amado falecido marido gastou toda a fortuna em cavalos e armamento de guerra.

Sem ter qualquer meio de subsistência Simonetta sente-se perdida e desnorteada. Ao saber da existência de um judeu a quem chamam Manodorata, que ajuda os mais necessitados que não têm medo de ser castigados por Deus, por não estarem a seguir os desígnios de Roma, não hesita e procura-o. Mas tudo tem um preço. Antes de se decidir a ajudá-la, o judeu obriga-a a descobrir um modo de fazer dinheiro por si própria, mesmo após ela se ter despojado de todos os seus bens terrenos. A única coisa de que Simonetta não se consegue desfazer é da sua villa, onde viveu momentos de grande felicidade.

Simonetta procura então Bernardino Luini, um talentoso pintor (discípulo de da Vinci) e aceita a oferta que este lhe tinha feito mas que ela tinha repudiado: deixar-se pintar  nos frescos da igreja do Santuário de Santa Maria dei Miracolli em troca de dinheiro. Embora inicialmente se mostre relutante em criar qualquer tipo de empatia com Bernardino, a atracção entre os dois é evidente. Porém, Simonetta tenta camuflar os seus sentimentos e tenta esquecê-lo. Simplesmente não consegue compreender como é que se pode sentir atraída por outro homem quando o seu marido faleceu há pouco tempo e deveria manter-se, o resto da vida, concentrada no seu papel de viúva. Contudo, os canônes da igreja católica não vêem com bons olhos a sua amizade com um judeu nem com Bernardino.

A vida, no entanto, dá muitas voltas e Simonetta acaba por ter de fazer escolhas que nunca imaginaria, que resultam no seu amadurecimento enquanto mulher.

Esta é uma história em que valores como a amizade, a lealdade e a abnegação imperam. É delicioso ver como as personagens se reconstroem a si mesmas após as várias provações por que passam e se encontram consigo próprias, descobrindo facetas que desconheciam. Não deixem de ler este livro. É absolutamente divinal!


5 *****

quinta-feira, 14 de março de 2013

Predadores da Noite


Sedução na Noite

Chancela: Chá das Cinco
Saga/Série: Predadores da Noite  Nº: 7
Nº de Páginas: 304

Ler os livros desta escritora é sempre um prazer, para mim. Principalmente quando as personagens sobre a qual se trata o livro têm características em comum comigo. Foi isso que senti ao ler mais um volume desta fabulosa série!

Adorei as personagens principais: a Tabitha Deveraux e o Valério Magno. Adorei o facto de ela ser completamente destravada e não se inibir de ser quem é, quer isso agrade aos outros ou não. Já o Valério é o seu oposto. Sempre sério, solitário, formal e inicialmente incapaz de despir essa capa de frieza. 

Contudo, tudo muda na sua vida quando se cruza com o furacão Tabitha, que tudo faz para virar a sua vida do avesso. Mas nem tudo são rosas, pois os Daemon estão a atacar Nova Orleães em força e é necessário unir forças para os derrotar, mesmo que isso implique esquecer quezílias ocorridas há mais de 2.000 anos.

Felizmente esta série tem imensos livros para que me possa continuar a deliciar com as aventuras dos Predadores da Noite! :)

5*****



sábado, 2 de março de 2013

Um livro para viajar no tempo


M. J. Rose

"O Livro dos Perfumes Perdidos"



Autora: M. J. Rose
Páginas: 440
Editor: Clube do Autor

Opinião:

E se houvesse uma fragrância que nos permitisse voltar atrás no tempo e recordar as vidas passadas? E se esse perfume nos permitisse reconhecer a nossa alma gémea noutra vida e viajarmos sempre com ela, de vida para vida? O título do livro e a capa só por si já são muito sugestivos. O facto de abordar viagens a vidas passadas foi o factor decisivo para querer ler este livro. E que bela decisão!

O início da narrativa centra-se numa exploração feita por Napoleão, durante a época da Revolução Francesa, a um túmulo egípcio onde estão sepultados um homem e uma mulher lado a lado, cada um com um vaso de cerâmica igual. Ao tentarem perceber que peça é aquela e porque é que os dois amantes tem a sua, um dos vasos cai ao chão e quebra-se em imensos pedaços, libertando uma fragrância. De súbito, todos os envolvidos na exploração começam a “delirar” e ver coisas e a falar com pessoas que mais ninguém vê. Giles L’Étoile um perfumista interveniente na exploração percebe, então, que há algo mágico no perfume contido nos vasos que faz com que as pessoas viajem no tempo.

A família L’Étoile continua, ao longo de diversas gerações, a dedicar-se à criação de fragrâncias únicas até aos nossos dias. A firma passa para as mãos de 2 irmãos que se vêem a braços com as dívidas contraídas pelo pai que dedicou toda a sua vida à descoberta dessa fragrância perdida. Mas os interesses dos irmãos e as suas convicções divergem. Robbie L’Étoile, um budista convicto, quer retomar o trabalho do pai e reconstruir um perfume capaz de unir as almas através dos tempos. Jac L’Étoile por outro lado é uma céptica convicta, tendo sido constantemente atormentada por visões e delírios, que sempre atribuiu a perturbações de ordem psíquica.

Contudo, a luta de interesses não decorre apenas entre os irmãos L’Étoile. Existem muitas pessoas atentas aos seus movimentos: umas que pretendem que a descoberta do vaso egípcio e da sua função venha a lume e outras que querem abafá-la. Esses interesses divergentes fazem-nos viajar por Nova Iorque, Londres, Paris e Tibete numa lufa-lufa constante.

Com muita pena minha, este é o único livro da autora publicado em Português mas espero que a editora se entusiasme e continue a publicá-la. Achei o livro muito dinâmico quer porque se passar em vários locais do mundo como por nos conseguir transportar até a esses mesmos locais e sentirmos que estamos a viver as situações com as diversas personagens. A escrita da autora é muito fluida e muito cativante, pois é cheia de ritmo.

Em suma, adorei e recomendo vivamente! Estou mesmo a considerar ler outros livros da autora noutra língua se não for publicado mais nenhum por cá.

5 *****

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Há sempre um livro mais especial numa saga...


Nora Roberts

“Porto de Abrigo”


Autora: Nora Roberts
Chancela: Chá das Cinco
Saga/Série: A Saga da Baía de Chesapeake  Nº: 3
Nº de Páginas: 272



Opinião:

Quando lemos vários livros de uma saga/trilogia é frequente termos um preferido. Há sempre um livro que nos toca mais, quer pela profundidade de sentimentos que desperta em nós quer pelas personagens que o compõem. Há situações em que nos revemos por já as termos vivenciado e há sentimentos ou formas de reagir a essa mesmas situações que reflectem, por vezes, as mais recônditas facetas de nossa maneira de ser.

“Porto de Abrigo” é um livro com o qual me identifiquei bastante. E, dos três livros da saga que li até agora, é o meu preferido. Neste livro a trama densifica e o turbilhão emocional das personagens envolvidas intensifica-se. Adorei conhecer melhor o Phillip e perceber que apesar da infância conturbada ultrapassou os seus traumas. Phillip é um publicitário que está habituado a uma vida recheada de pequenos luxos como um bom vinho, jantares sofisticados e encontros com mulheres deslumbrantes.

Contudo, toda esta boa vida termina quando se vê obrigado a passar a semana em Baltimore, onde trabalha, e passar os fins-de-semana em Chesapeake para ajudar na educação de Seth, o mais novo membro da família Quinn e trabalhar no estaleiro naval que detêm.

O lado feminino da história é pautado por uma personagem, a meu ver, muito bem delineada: a psicóloga Sybil Griffin. Reputada pelos vários livros que tem publicados, Sybil é uma excelente observadora, sempre atenta às pessoas que a rodeiam e aos ambientes em que se move. Inicialmente parece-nos que esta jovem mulher se encontra naquela cidade com o intuito de recolher informações para o seu novo livro. À medida que vamos avançando na leitura percebemos que há um motivo escondido para esta viagem que ao ser revelado vai causar um enorme tumulto na família Quinn.

É nessa altura que ficamos a conhecer a alma de Sybil a nu. Percebemos, então, que a confiante Sybil afinal também possui fraquezas e possui emoções e sentimentos ocultos dos quais nem tinha conhecimento. Não posso deixar de enaltecer o talento da escritora na construção de uma personagem tão real e complexa, de modo que chego a identificar-me com as suas atitudes perante certos problemas.

Até agora este é o livro que considero mais intenso desta saga. Uma verdadeira preciosidade que nos leva a reflectir sobre a nossa verdade interior e a necessidade (ou não) de colocarmos a alma a nu e nos entregarmos aos outros sem pudor.

4 ****


Sinopse:

 

Phillip é o único dos três irmãos Quinn que ainda se mantém solteiro. Com muita força de vontade, vai conseguindo conciliar um emprego exigente com os novos deveres familiares, ou seja, ajudar a cuidar de Seth, o irmão adoptivo. Quando a Dra. Sybil Griffin aparece na vila com o objectivo de pesquisar para um livro que pretende escrever, Phillip não pode deixar de reparar nela, afinal, Sybil é uma mulher misteriosa que agita os seus sentidos e ameaça roubar o seu coração. E se é verdade que Sybil também não pode negar a atracção que sente pelo carismático Phillip, o segredo que a liga ao jovem Seth pode deitar tudo a perder... e destruir a própria família Quinn.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Se não fossem os maus livros como poderíamos dar valor aos bons?


Eloisa James

"Paixão numa Noite de Inverno"


Autora: Eloisa James
Páginas: 386
Editor: Quinta Essência

Opinião:


Este livro foi a minha estreia com esta autora. Não posso dizer que tenha sido um feliz acontecimento para mim, pois apesar da sinopse me fazer antever um livro promissor não o foi. Houve momento em que só desejava chegar ao final do livro para poder começar outro que realmente me enchesse as medidas.

O livro é-nos contado por um narrador omnisciente que, em cada capítulo, vai alternando entre os diversos ambientes e personagens que povoam esta obra. Inicialmente isso causa-nos alguma estranheza. Mas assim que entramos no ritmo da novela torna-se uma coisa natural. Tive muita dificuldade em chegar até meio do livro, altura em que me consegui sentir mais interessada pela história. Contudo, não o suficiente para comprar os outros livros desta trilogia. 

Na minha opinião, quando um autor constrói uma trilogia é porque tem uma boa e grande história para contar, que não cabe num só volume. Ou seja, tem de construir uma narrativa interessante e abrir o apetite aos leitores para que continuem a comprar os seus livros e desejem saber como irá terminar a trama. Esta novela fez-me sentir  que andei enredada em romances de alcova da burguesia do século XVIII. Talvez a história retrate, efectivamente, a sociedade burguesa da época, colocando em evidência os caprichos de duques e duquesas, bem como as suas alegrias e angústias. 

No entanto, ficou muito aquém das minhas expectativas. A única coisa que me anima é saber que é menos uma autora (das milhentas) que pretendo seguir. A vida é mesmo assim: feita de surpresas. Se não fossem os maus livros como poderíamos dar valor aos bons? :) 

domingo, 3 de fevereiro de 2013

A primeira leitura de 5 estrelas deste ano

Carlos Ruiz Zafón


“Marina”


Autor: Carlos Ruiz Zafón
Páginas: 304
Editor: Booket

Opinião:

Não sentem que há autores que nunca vos desiludem? Sabemos sempre que um livro seu é sempre um bom livro, capaz de nos entreter durante umas boas horas e nos proporcionar momentos de leitura extremamente agradáveis. Eu sinto isso com o Carlos Ruiz Zafón. O primeiro livro deste escritor que li foi “A Sombra do Vento”, em 2005, e fiquei fascinada. Zafón consegue descrever ambientes sombrios, tenebrosos e misteriosos que nos deixam de pele arrepiada, com uma mestria incomparável.

“Marina” é o terceiro livro que leio deste escritor. Mais uma vez, sinto-me rendida não só às ruas e aos locais recônditos de Barcelona onde o autor nos conduz, como às personagens e ao enredo que as envolve.

A narrativa leva-nos até Óscar, um jovem que estudante de um colégio interno, cujo fascínio pela cidade o leva a passear todos os fins de tarde pelas ruas de Barcelona. Um belo dia, o seu passeio acaba por levá-lo a descobrir uma antiga mansão que parece estar abandonada. A sua curiosidade pelo enorme casarão e pelo seu indolente jardim levam-no a entrar sem ser convidado.

Ao entrar na mansão Óscar escuta ópera e aventura-se pelas divisões tentando perceber se ali mora alguém. Durante a sua exploração encontra um relógio de bolso com uma frase gravada no verso que muito o intriga. De súbito, percebe que não está sozinho ao ver que está um homem sentado numa poltrona. Assustado, Óscar desata a fugir mas a atrapalhação da fuga faz com que leve consigo, por engano, o relógio. Ao chegar ao colégio, Óscar não consegue deixar de pensar naquela casa e nos mistérios que esta esconde. A consciência começa a pesar-lhe por ter trazido consigo um relógio que não era seu. Decide então que tem de voltar para o devolver.

Ao regressar àquele casarão fascinante, Óscar encontra uma rapariga no jardim que afirma morar naquela casa com o seu pai. A partir daí, gera-se uma relação de grande amizade e proximidade entre a rapariga, que dá pelo nome de Marina, o seu pai (Gérman) e Óscar, que aproveita todos os momentos para visitar os seus novos amigos. Um dia, Marina leva Óscar até um velho cemitério onde vêem uma mulher completamente vestida de preto dirigir-se a uma campa. Intrigados com aquela visão, decidem segui-la. E é a partir de aqui que ambos se vêem envolvidos numa busca incessante pela verdade e pelas histórias secretas que a cidade de Barcelona esconde.

Esta é uma história de fantasmagorias, de marionetas que ganham vida, de teatros abandonados e de todos os ingredientes que compõem um bom livro de suspense. Digo-vos desde já que este livro dava um filme de suspense fabuloso! Mas eu sou suspeita, pois adoro este mundo das sombras que ganham vida, das névoas tenebrosas e das tábuas do soalho que rangem à noite.

“Marina” foi o primeiro livro que em Espanhol, a língua-mãe do escritor. Tenho de dar a mão à palmatória pois, efectivamente, não há nada como ler um livro na língua em que foi escrito. A magia das palavras é totalmente diferente, mais arrebatadora. E, a partir de agora, este é um leitor que só pretendo ler em Espanhol. Estou cada vez mais rendida a este escritor. Uma última palavra: FABULOSO!

5*****




Sinopse:

«Por qualquer estranha razão, sentimo-nos mais próximos de algumas das nossas criaturas sem sabermos explicar muito bem o porquê. De entre todos os livros que publiquei desde que comecei neste estranho ofício de romancista, lá por 1992, Marina é um dos meus favoritos.» «À medida que avançava na escrita, tudo naquela história começou a ter sabor a despedida e, quando a terminei, tive a impressão de que qualquer coisa dentro de mim, qualquer coisa que ainda hoje não sei muito bem o que era, mas de que sinto falta dia a dia, ficou ali para sempre.» Carlos Ruiz Zafón «Marina disse-me uma vez que apenas recordamos o que nunca aconteceu. Passaria uma eternidade antes que compreendesse aquelas palavras. Mas mais vale começar pelo princípio, que neste caso é o fim.» «Em Maio de 1980 desapareci do mundo durante uma semana. No espaço de sete dias e sete noites, ninguém soube do meu paradeiro.» «Não sabia então que oceano do tempo mais tarde ou mais cedo nos devolve as recordações que nele enterramos. Quinze anos mais tarde, a memória daquele dia voltou até mim. Vi aquele rapaz a vaguear por entre as brumas da estação de Francia e o nome de Marina tornou-se de novo incandescente como uma ferida fresca. «Todos temos um segredo fechado à chave nas águas-furtadas da alma. Este é o meu.»

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

David Anthony Durham


“Acácia – Presságios de Inverno”

Autor: David Anthony Durham
Editora: Saída de Emergência
Saga/Série: Série Acácia Nº: 1
Nº de Páginas: 368





Opinião:

“Acácia – Presságios de Inverno” é o segundo livro de uma série de David Anthony Durham, da qual já tinha lido o 1º livro. Neste volume a história é retomada no ponto em que a deixámos, ou seja, vamos ao encontro dos 4 príncipes exilados de Acácia, nove anos após a morte do rei Leodan Akaran, ficando a conhecer a fundo o dia-a-dia de cada um bem como os efeitos que esse exílio teve nas suas vidas.

 

Aliver serviu-se do seu forte carisma e do seu dom com as palavras para encontrar aliados da sua causa: voltar a Acácia e apoderar-se do trono que é seu por direito.

 

Dariel cresceu junto de um grupo de resistentes que pretendem acabar com o poderio dos Mein em Acácia. Ao perceber que o seu irmão Aliver se encontra vivo parte ao seu encontro para se aliar à luta contra os inimigos da família Akaran.

 

Mena tornou-se a personificação da Deusa Maeben que rouba os filhos do seu povo como castigo pelos seus pecados. Ela parece ter incorporado na perfeição as funções que lhe foram atribuídas, embora tenha de lidar constantemente com o sofrimento alheio, situação que a angustia e revolta profundamente. Certo dia, Mena recebe a visita de Melio, um acaciano, que a reconhece como uma das filhas de Leodan. Mena pede-lhe, então, que a ensine a usar a espada e a defender-se, pois está farta de encarnar Maeben e pretende juntar-se aos seus irmãos na luta pela recuperação do trono pela família Akaran.

 

 Corinn vive com Hanish Mein, um homem sem escrúpulos, que se apoderou do trono de Acácia e que tudo fará para eliminar os antigos aliados dos acacianos. O seu coração está terrivelmente dividido e nele borbulha um misto de emoções. Se por um lado não consegue deixar de encarar Hanish como um dos responsáveis pela morte do seu pai, por outro sente-se atraída por ele. No entanto, apesar de inicialmente não se deixar seduzir com as palavras meigas de Hanish, Corinn sente-se cansada de remar contra a maré. A atracção fala mais alto e ela acaba por tornar-se sua amante.

 

O idílio da paixão esfuma-se subitamente no ar quando Corinn ouve Hanish afirmar aos espíritos dos seus antepassados que irá sacrificá-la para que eles possam voltar a este mundo. A ira toma, assim, conta de dela. Corinn não perdoa mais esta traição a Hanish e engendra um plano de vingança.

 

Comparativamente com o 1º livro da série este é bem mais emocionante. Inicialmente achei o livro demasiado confuso, visto que cada um dos capítulos é dedicado a um dos irmãos e não é clara essa divisão na narrativa, considero-a mesmo um pouco abrupta. Não nos é dito que estão a contar as 4 partes da história em simultâneo, daí que possa ser difícil entrar no ritmo do livro. A partir do momento em que nos familiarizamos com esta mecânica tudo se torna mais fácil. Ainda assim, a infinidade de nomes continua a baralhar-me.

 

Felizmente este volume tem mais acção sendo, por isso, mais emocionante. De facto, há que reconhecer a capacidade de descrição deste autor, que nos consegue levar a locais tão longínquos e inesperados. É certo que dei uma 2.ª oportunidade a esta série e que gostei mais deste volume mas, ainda assim, não me despertou muita vontade de ler outro livro deste autor. Acho que estas obras dariam um óptimo filme ou série televisiva e acredito que gostaria mais da história nesse formato, mas como narrativas acho que acabam por se tornar enfadonhos.

 

3 ***

 

 

Sinopse:

Um rei assassinado pelo seu mais antigo inimigo. Um império dominado por um povo austero e intolerante. Quatro príncipes exilados determinados a cumprir um destino.
Recuperar o trono de Acácia poderá ter consequências devastadoras.

Há muito que o Reino de Acácia deixou de ser governado em paz a partir de uma ilha Idílica por um rei pacificador e pela dinastia Akaran. O cruel assassinato do rei trouxe muitas mudanças e grande sofrimento. Com a conquista do Trono do Mundo Conhecido por parte de Hanish Mein, os filhos de Leodan Akaran são forçados a refugiarem-se em zonas longínquas que desconhecem. Sem tempo para fazer o luto pelo seu pai, os jovens príncipes são separados e jogados à sua sorte num mundo cada vez mais hostil. E é entre piratas, deuses lendários, povos guerreiros e espíritos de feiticeiros que encontram a sua força e a sua verdadeira essência. Entretanto, Hanish continua empenhado na sua missão de libertar os seus antepassados e finalmente entregar-lhes a paz depois da morte. Mas para isso, os Tunishnevre precisam de derramar o sangue dos príncipes herdeiros... Conseguirá Hanish capturar os filhos do falecido rei Akaran? Voltarão a cruzar-se os caminhos dos quatro irmãos? Estará o coração de Corinn corrompido e rendido à paixão por Hanish ou dormirá com o inimigo apenas para planear a reconquista do Trono de Acácia? E se, de olhos postos na vitória, os herdeiros de Akaran voltarem a sofrer o mais duro dos golpes?