"Para a Minha Irmã"

Opinião:
Ontem acabei de ler Para a Minha Irmã, de Jodi Picoult. Há
muito tempo que ouvia falar desta autora, conhecida por abordar temas
controversos e sensíveis. Por esse mesmo motivo tive sempre muita resistência
em ler as suas obras. Acho que a vida, por vezes, já é dura o suficiente para
andarmos a ler coisas tristes e depressivas.
De facto, quando fechei o livro
depois de ler a última palavra fiquei meio abananada. Os livros da Jodi não nos
deixam indiferentes. É impossível não nos colocarmos na pele das personagens,
sofrendo, rindo e chorando com elas. Não costumo chorar com livros. É raro
acontecer. Mas ontem, ao chegar ao final, senti os olhos a arder. Como estava
nos transportes a caminho de casa tive de controlar a angústia que sentia,
embora a cabeça parecesse girar com mil e uma questões que iam surgindo na
minha mente. A conclusão a que chegou após terminar Para a Minha Irmã é uma das premissas que regem a minha vida: “o
que tiver de ser, ser”, no matter what...
O livro conta-nos a história da
família Fitzgerald. A Kate é a filha mais velha do casal e a quem diagnosticaram
uma espécie rara de leucemia quando tinha apenas 2 anos. Desde então, a vida
desta rapariga centra-se em tratamentos e internamentos no hospital. Com receio
de perderem a filha, por nem eles nem o seu filho mais novo serem dadores de
medula compatíveis com Kate, Brian e Sara decidem ter um novo bebé. Nasce então
Anna.
Anna sempre soube que foi criada
de modo a ser geneticamente compatível com Kate e poder tornar-se sua dadora,
salvando assim a sua vida. O problema é que, com o passar dos anos a leucemia
parece estar a ganhar a batalha da vida. As doações de medula não ser suficientes
para salvar Kate e o seu estado de saúde agrava-se bastante. E a única luz ao
fundo do túnel seria Anna doar-lhe um rim.
Mas… E se a Anna se recusasse ser
submetida a mais um procedimento médico para salvar a sua irmã, coisa que tem
feito desde que nasceu? Afinal também tem direito ao seu corpo e a não ter de
sacrificar a sua saúde em benefício de uma irmã que poderá morrer de qualquer
forma de leucemia. Será que esta decisão é justa? A escolha de Anna é moral e
eticamente aceitável? A partir daqui, Anna procura um advogado para fazer valer
os seus direitos em tribunal e emancipar-se medicamente da sua família. Claro
que esta tomada de posição face à doença de Kate torna a vida desta família um
caos ainda maior. Caos esse que se vai destrinçando páginas a fora, até chegar
a seu desfecho.
Após esta primeira intensa
experiência com um livro de Jodi Picoult tenho de reconhecer quer a sua
habilidade para criar um argumento sólido e bem construído sobre um tema
absolutamente controverso, quer a investigação profunda que se percebe que foi
feita. A escrita é fluída, mantém o interesse constantemente na acção e o tema
é pertinente.
Contudo, não posso dizer que
tenha ficado da autora e das suas “histórias”. A sua densidade emocional é
brutal. Mas são sem dúvida livros para quem gosta de emoções fortes.
3 ***
Sinopse:
Os Fitzgerald são uma
família como tantas outras e têm dois filhos, Jesse e Kate. Quando Kate chega
aos dois anos de idade é-lhe diagnosticada uma forma grave de leucemia. Os pais
resolvem então ter outro bebé, Anna, geneticamente seleccionada para ser uma
dadora perfeitamente compatível para a irmã. Desde o nascimento até à
adolescência, Anna tem de sofrer inúmeros tratamentos médicos, invasivos e
perigosos, para fornecer sangue, medula óssea e outros tecidos para salvar a
vida da irmã mais velha. Toda a família sofre com a doença de Kate. Agora, ela
precisa de um rim e Anna resolve instaurar um processo legal para requerer a
emancipação médica - ela quer ter direito a tomar decisões sobre o seu próprio
corpo.
Sara, a
mãe, é advogada e resolve representar a filha mais velha neste julgamento. Em Para
a Minha Irmã muitas questões
complexas são levantadas: Anna tem obrigação de arriscar a própria vida para
salvar a irmã? Os pais têm o direito de tomar decisões quanto ao papel de
dadora de Anna? Conseguimos distinguir a ténue fronteira entre o que é legal e
o que é ético nesta situação? A narrativa muda de personagem para personagem de
modo que o leitor pode escutar as vozes dos diferentes membros da família,
assim como do advogado e da tutora ad litem, destacada pelo tribunal para
representar Anna.