O Conhecimento do Outro Também É Conhecimento de Mim Próprio
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Autor: Alberto S. Santos N.º de Páginas: 472 Editora: Porto Editora |
Opinião:
Era uma vez uma linda rapariga chamada Ouroana que nasceu durante a Idade
Média, num reino cristão, e que adorava viajar com o seu pai e a sua comitiva pelos
reinos vizinhos.
Certo dia, ao voltar de uma dessas incursões, uma das rodas da carruagem
em que viajava partiu-se. Sendo um tempo de muitos conflitos entre árabes e
cristãos, assim que a carruagem parou, um grupo de árabes (que já andava de
olho na comitiva) interpelou-os com o intuito de assalta-los. Como não a
comitiva não trazia nada de valor, a fúria apoderou-se dos bandidos. Como
vingança, o chefe dos árabes raptou Ouroana, a filha do nobre da comitiva, com o
intuito de poder pedir um resgate.
No entanto, Ouroana acabou por ser levada para terras de al-Andalus e ser
entregue a uma família de Córdova, onde se viria a tornar escrava pessoal da
dona da casa.
Os anos vão passando e, embora Ourona inicialmente sinta muitas saudades
de casa e da sua família, acaba por habituar-se ao mundo árabe e aos costumes
daquela gente e religião, tão diferentes dos seus.
Contudo, Ermígio o conselheiro e principal vassalo do pai da
protagonista, sentindo-se culpado por não ter conseguido impedir os árabes de raptá-la,
enceta uma longa viagem em busca de Ourona. Durante essa viagem cruza-se com
árabes e judeus com quem aprende imensas coisas e que o tentam ajudar a atingir
o seu propósito. E é através da perspectiva quer de Ouroana quer de Ermígio que
vamos alternando entre o mundo cristão e o mundo islâmico numa viagem não só
física mas também espiritualmente e altamente enriquecedora.
O livro é um romance histórico mas, apesar de nos remeter para alguns
factos que fazem parte do nosso passado, não se torna maçador. Pelo contrário,
estamos sempre desejosos de perceber a evolução da história. Tenho de dar os
parabéns ao autor. Alberto S. Santos é um verdadeiro conhecedor da história da
Península Ibérica e dos povos que a conquistaram. Os seus conhecimentos da religião
cristã, judaica e árabe também são impressionantes. Vê-se que o livro é feito
de uma enorme pesquisa e, isso acaba por torná-lo completamente envolvente. É
fabulosa a vida desta rapariga e as agruras por que vai passando ao longo de
toda a história. Fiquei fã do livro e vou querer continuar a seguir a obra
deste autor. Simplesmente fabuloso!
4 ****
Sinopse:
A Escrava de Córdova segue a vida de Ouroana, uma
jovem cristã em demanda pela liberdade e pelo seu lugar especial no mundo. Confrontada
com as adversidades do tempo em que lhe foi concedido viver, e em nome do
coração, a jovem terá de questionar a educação, as convicções e a fé que sempre
orientaram a sua existência. Será, por entre a efervescência das mesquitas e o
recato das igrejas graníticas da sua terra, que a revelação por que tanto
almeja a iluminará.
Uma história inolvidável de busca de felicidade
que tem lugar nos séculos X-XI, numa época pouco tratada pela Historiografia
oficial e mesmo pela ficção romanceada. Um pretexto para uma brilhante
explicação sobre o caldo cultural e civilizacional celto-muçulmano dos actuais
povos peninsulares e uma profunda explanação sobre as origens, fundamentos e
consequências da conflituosidade étnico-religiosa que hoje, tal como no distante
ano 1000, ainda grassa no mundo.
Alberto S. Santos, com rigor histórico e
descrições impressivas, revela-nos a mentalidade, a geografia, o quotidiano
urbano, as concepções religiosas, a fremente História do dobrar do primeiro
milénio, e, sobretudo, a intensidade com que se vivia na terra onde, mais
tarde, nasceram Espanha e Portugal. Dá-nos ainda a conhecer o ângulo mais
brilhante, mas também o mais duro e cruel, da civilização muçulmana do
al-Andalus.
ola, tenho um selo para ti:http://sonhodeumatardedeoutono.blogspot.fr/
ResponderEliminargostei deste teu comentario
bjs
Olá Susana! Muito obrigada por te teres lembrado de mim e do meu blogue. :)
ResponderEliminarBeijinhos